Não passava por esta estrada há mais de vinte sete anos e, no entanto, parecia-me que tinha passado por ela há pouco tempo. Não havia nada em mim, dentro de mim, no meu corpo, que me dissesse que eu estava quase trinta anos mais velho, que vivia noutro continente, qual quê?, noutro hemisfério, noutra galáxia, que tinha tirado um curso, que era um quadro superior da administração pública, que tinha tido um cancro e sobrevivido, que tinha subido à estátua da liberdade, em Nova Iorque, e cruzado as auto-estradas do midwest, que conhecia certos bairros de Londres quase tão bem como o bairro da cidade onde vivia. Nada, absolutamente nada, me dizia que tinha passado tanto tempo desde que eu tinha percorrido aquela estrada pela vez anterior. A não ser subtis sinais da paisagem. Mas que podiam significar que eu tinha estado fora trinta anos ou apenas três meses.
Neste lugar, de uma década para outra, e para outra, a paisagem mantém-se inalterável. E no entanto muda quase radicalmente de uma estação para a seguinte, da semana antes da chuva para a semana depois da chuva. Depois, aos poucos, quase como se fosse orgânica, e é, a paisagem voltava ao seu aspecto de sempre, de modo que um viajante intermitente não seria capaz de assinalar diferenças. É uma sensação indescritivelmente estranha, capaz de levar alguém à loucura, essa de não perceber, simplesmente olhando para fora das janelas do automóvel, olhando distraidamente para a linha do horizonte, para as manchas de verde ou para os troncos dos embondeiros, não perceber se, desde a última vez que ali cruzámos, se passaram três meses ou trinta anos. É inquietante tomarmos súbita consciência de que durante quase trinta anos esta paisagem esteve sempre ali, fora do alcance do nosso olhar, e que de facto, entre a última vez que olhámos para ela e este momento, apenas nós e o nosso desamparado olhar, permanecemos os mesmos. Tudo, lá para fora das janelas da carrinha que balançava entre os profundos sulcos da estrada, tudo era outra coisa, tudo mudara. Afinal tinham-se passado quase trinta anos. Ou, pelo menos, mais do que três meses, mais do que uma estação.
Lembrei-me de que, seguindo em direcção ao litoral, do lado esquerdo da estrada, acompanhando-a ao longo de muitos quilómetros, ou do que me parecia serem muitos quilómetros, havia intermináveis plantações de sisal. O campo estava limpo entre as plantas, que cresciam a intervalos regulares entre elas. Fiquei a olhar muito fixamente para este lado da estrada, sem coragem de perguntar ao condutor que era feito das plantações de sisal. O mato deste lado da estrada era igual ao do outro lado, mas parecia-me que havia menos árvores de grande porte, menos embondeiros, como se, de facto, há muitas estações atrás, ali tivesse havido uma plantação. E eu seguia com os olhos presos no lado da estrada, olhando fixamente a paisagem, à espera de ver surgir, entre as manchas do mato, a estrela perfeita de uma planta de sisal.
Em Espanha um marido obrigou a mulher a fazer sexo oral com o cão, foi preso, julgo que não vai ter uma vida fácil, com o seus colega de presídio.
Fui à biblioteca devolver um livro que devia ter entregado em 5 de Fevereiro, vou ficar de castigo pelo menos 4 meses. Aproveitei a ida e com o cartão da minha filha trouxe seis livros, o máximo por cartão: Robin Skinner e John Clees, ''Famílias e Como Sobreviver Com Elas'', Tratado da Natureza Humana, de David Hume, A Ciência dos Símbolos, de René Alleau, Viena de Freud e Outros Ensaios, Introdução Psicologia Cognitiva e Fuck It, Descubra a verdadeira liberdade ao perceber que as coisas não têm assim tanta importância, este último de John C. Parkin.
Volto depois, vou ler
For starters, I've had anaphylaxis twice -- once from pencillin, once from demerol -- and I have no luck getting doctors to pay any attention to me when I try to tell them that. I'm a little old lady; doctors know they don't need to listen to what I'm saying. [With the demerol episode, although I lost consciousness and had severe tetany, no doctor came anywhere near me while it was happening.] I object to a medication they want me to have, they tell me the medication is innocuous and never causes allergic reactions, and they go right ahead and give it to me. When it's a pill or a liquid I can refuse to take it, which makes them extremely angry; when it's intravenous or an injection, I don't have any choice in the matter.
To go on with, there's the dismal record of the number of infections people get in U.S. hospitals -- according to the CDC, 1.7 million every year, with at least 90,000 deaths. True, the people who get those infections, and the ones who die from them, are already sick, but the point of going into the hospital is supposed to be to get better, not worse.
There's the fact that almost no doctor I could see today has ever seen a case of polio, and the few problems I have are mostly caused by my postpolio spine. Doctors who've seen polio are all retired now, or have shuffled off their mortal coil.
And then there's what happened the last time I had surgery -- very minor surgery. The anesthetist gave me the drugs in the wrong order, starting with the one that causes paralysis, and because he didn't realize he'd done that he didn't start the procedure that breathes for the paralyzed patient, so that for far too long I was suffocating. My surgeon said, afterward, "I was really hoping you wouldn't remember that."
There are all the deplorable things that I saw happen in the hospital during my mother's final illness, none of which I'm willing to inflict on you here.
And then there's the fact that in most cases I can take care of myself as well as I could be cared for in a doctor's office or a hospital, and whatever I have will go away without any professional intervention. Internists know that most things go away on their own; that's why they and their family members make far less use of the medical system than the average person does.
If my problem was severe trauma -- broken bone, extensive burns, that kind of thing -- I'd go to an emergency department just as fast as I could get there. For that sort of problem, you need an EM doctor and nurse and tech, no question about it. For anything else, I remain unwilling.
Parem a sétima, a nona, a quinta, a feira, parem os macacos a brincarem com a orelha. Parem a batuta, a truta, a dor, parem que me calo mas não sei calar amor. Parem os risos, a bula, a burla, o indizível no libreto. Parem o intervalo e a capacidade de perdoar. Parem o pano, as cordas, a baqueta, parem Romeu e Julieta, não me digam que acabou. Parem o bombo, o gesto de ateu, o gato na janela. Arranjem outra viela. Parem para já.
Parem o mundo novo antes da descoberta, a impressões do elefante, salvemos uma canção. Parem as tulipas e as prostitutas, o cardeal e o candelabro, parem o rio, que está a subir, senhores, parem, parem. Parem o desnexo, a cocofonia do sexo, o acorde final, parem, não faz mal. Parem o druida, o beijo, o crescendo, o compasso no traço, parem de fazer assim: "mundo sofre em cor, língua é bem melhor, mundo é todo igual? não, mas não faz mal". Parem com ciências e escalas e marcação, com termómetros e metrónomos parem a ocasião. Dispensem os fadistas, queimem as revistas, deixem-nos sem paz. Parem as guloseimas engraçadas, as fadas, as feias adormecidas, o carrossel. Parem a policia!
Há uma emergência aqui. Aconteceste. Aconteceste e o tempo não volta mais.
- Mood:
calm - Music:Todo o Sentimento - Chico Buarque
Faltam-me poucas páginas para terminar a leitura de mais um livro de viagens de Paul Theroux. Ou seja, mais uma viagem extraordinária e mais uma fantástica aventura literária. É o terceiro relato de uma grande viagem trans-continental que leio de Theroux, e depois da travessia das Américas em O Velho Expresso da Patagónia e da Ásia em Ghost Train to The Eastern Star, foi agora a vez de Viagem Por África (no original Dark Star Safari), o relato de uma ligação da cidade do Cairo à cidade do Cabo, sempre por terra.
Sou um admirador incondicional do Paul Theroux, basicamente porque os seus livros me divertem. E, claro, porque a personagem é absolutamente irresistível, mesmo quando é pouco simpática. Theroux é presunçoso, muitas vezes as suas opiniões e pontos de vista são precipitados e enviesados, e quando não sabe inventa. Mas curiosamente isso são tudo caracteristicas que enriquecem os relatos, torna-os mais suculentos e sobretudo mais divertidos. E para além disso, Theroux tem um jeito enorme para captar e descrever paisagens e sobretudo ambientes e atmosferas, uma atenção ao detalhe que nos transporta para o centro da acção, e os seus livros são fundamentalmente preenchidos com histórias de encontros, uma sucessão de retratos, uns mais e outros menos improváveis, e de diálogos, que, mais do que darem conta dos lugares por onde Theroux passa, são maneiras de olhar um mundo que é nosso. Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, não é?, como diz o bardo, mas muitas dessas coisas estão nos volumosos tomos onde Theroux relata, mesmo quando suspeitamos que esteja a inventar, as suas aventuras.
O retrato africano que resulta de Viagem Por África não é muito lisonjeiro. Na opinião de Theroux, que conheceu e viveu em África no estertor da presença colonial, o continente está muito pior do que estava há 40 anos, principalmente em termos de infra-estruturas e condições mínimas de sobrevivência, e isso é sobretudo penoso para as populações locais, que são prisioneiras de um ciclo de improdutividade e subdesenvolvimento. As cidades são particularmente castigadas, e é no mundo rural que Theroux vê, apesar de tudo, alguma felicidade e alguma esperança para o futuro. Theroux é muito crítico das ONGs, da economia dos doadores, que traz dinheiro para países pobres, não para os desenvolver, mas para o colocar nas mãos erradas. Mas, lá está, o que é delicioso em Theroux é nunca termos a certeza se essa opinião não é apenas motivada pelo despeito de os funcionários das ONGs sempre se recusarem a dar-lhe boleias nos seus 4x4 brancos e poderosos.
Ao longo desta viagem, Theroux cruza dez países: Egipto (aproveitei para fazer um refresh da minha ida ao país, até porque no livro são mencionados muitos dos lugares que eu visitei), Sudão, Etiópia, Quénia (acho que é o país mais maltratado pelo autor, um retrato verdadeiramente desolador daquele que é, para muitos turistas, o paraíso dos safaris), Uganda, Tanzânia, Malawi, Moçambique, Zimbabué e África do Sul. Claro que me interessaram particularmente os dois capítulos dedicados a Moçambique (Theroux esteve no país em dois momentos distintos, primeiro quando desceu o Zambeze e foi até à Beira e daí para o Zimbabué, e depois uma visita a Maputo a partir da África do Sul). O retrato não é famoso, mas apesar de tudo podia ser pior. Curiosamente é dos trechos do livro onde há mais referência aos colonizadores do passado, ou seja, a nós os portugueses. E numa nota afectiva, refiro que Theroux considera estação de caminhos de ferro de Maputo, a mais bela de todas em África.
Apesar de os livros de Paul Theroux não primarem exactamente pelo pitoresco, há trechos em que não conseguimos deixar de sentir uma enorme vontade de estar lá, a viver esses momentos com ele, seja a viajar de comboio pela África do Sul, seja a descer o Zambeze numa canoa, seja a passar uma noite do desértico sul da Etiópia, a descascar batatas para o jantar.
Uma nota final para dizer que o livro está muito bem traduzido e que o texto está tão bem editado que muitas vezes nos esquecemos de que estamos a ler uma tradução. A nota negativa, na minha opinião, vai para a capa desinspirada, feita de banalidades que o próprio livro recusa, e para a tradução do título, que é demasiado funcionalista para despertar interesse. Só a título comparativo, deixo aqui uma das capas do livro, que foi usada, creio, tanto em edições inglesas como americanas, e que é daquelas capas que um tipo vê num escaparate da livraria e fazem logo ter vontade de agarrar no livro e de o trazer para casa.
- Miguel Torga -
Sony vendeu cerca de 31 milhões dos discos de Michael Jackson desde a sua morte, no dia 25 de junho.
Os administradores da Portugal Telecom (PT), incluindo o presidente, Henrique Granadeiro, e o presidente executivo, Zeinal Bava, receberam em salários fixos, variáveis e prémios cerca de 7 milhões de euros em 2009, anunciou a empresa.
Lusa - Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico
9:48 Terça-feira, 16 de Mar de 2010
A PT, que divulgou pela primeira vez, no seu relatório e contas de 2009, os valores das remunerações individuais dos seus gestores, cumprindo a nova lei, revelou que os seus gestores, executivos e não executivos, receberam 3,2 milhões de euros em salários fixos e variáveis e um prémio de 3,799 milhões de euros pelo mandato no triénio de 2006 a 2008.
A empresa anunciou que Henrique Granadeiro foi remunerado em 650.900 euros enquanto que Zeinal Bava atingiu, entre remuneração fixa e variável cerca de 1,5 milhões de euros. Ambos receberam um prémio de mandato de cerca de um milhão de euros pelo trabalho realizado no triénio 2006-2008.
in aeiou.visao.pt/pt-pagou-7-milhoes-de-eur
Morte e Amor são coisas bem pequenas. (B.)
Prometo
À tua volta cresce a pele das folhas recém-nascidas e a tépida candura das cortinas por onde se filtra a luz que vem de fora.
Amo-te.
A minha vida lateja porque trago o teu coração dentro do peito, intacto, por romper, sem dano ou prejuízo. O meu coração impune em vez do teu, a bater no teu corpo, sem temor.
Abraço-te de joelhos os joelhos. Pouso a minha cabeça no teu colo e deixo-me a chorar sem ter motivo, que o teu coração tenho-o no peito trocado pelo meu, na tua mão, e não há perigo.
Inclina-te para mim. Diz-me em murmúrio que na vida apenas valem os instantes, que Morte e Amor são coisas bem pequenas.
Que a tua mão sossegue o meu cabelo. Que a tua mão aquiete a luz que vem de fora, nervosa, por entre as rendas das cortinas. Que a tua mão sossegue a minha vida inteira.
Vou respirar por ti, prometo.
Meu Amor de pele de luz e folhas a nascer.
- Jornadas, in jornadas.blogs.sapo.pt/209379.html
While I was angrily folding laundry and thinking fairly hateful thoughts, I felt sort of strangely possessed. A sort of 'voice' in my head. It happens from time to time, and usually I do not take such things down in this journal as it's nearly impossible to separate from what "thinking" feels like. I want to be a scientist, not a science-fiction author, and I'm afraid that if I engage my waking mind too much I'll blur the lines of my dream data and discredit it. :(
But I was writing it down for an email, and decided to make it a post. Here's what laundry-folding-voice had to say:
Hold back your anger. You have noticed the great divide between yourself now and yourself as a child. The nature of your mind has given you the rare privilege among humans of quantum leap after quantum leap. But remember that you were a child decades ago, unable to speak competent English or tie your own shoes. Some of the good people you are dealing with do not necessarily have the benefit of your mental quickness or experience, they will take much longer to get to where you are, don't hate them for that. (We'll sidestep that being 'good' isn't so common in the first place, but the person you're mad at is an example of a good soul.)
Bear in mind it was no picnic to care for you as a baby either, and only patience from outside guided your education. Your current teachers are every bit as invisible to you as your parents were invisible to you as a baby. Do not think that gap is any lack of effort in trying to speak to you—the limiting factor is your current perceptual toolset. Add into the equation that while teachers like myself have some insight to offer, we also have our own flaws—just as your parents did. You will one day look back and think of how you could have said what I'm saying to you better. (But hindsight is 20/20, so don't be a jerk about it when we meet. :P)
Similarly you must accept that for the moment *you* are an invisible teacher to those around you... whom you consistently (and improperly) reach out to with expectations that they might be your teachers. Remember that only the longer term view makes babies a good investment for parents... OR those you meet a good investment for you... OR *you a good investment for us*. You're lucky enough should you ever meet an Earthly peer, so savor that when it happens and develop those relationships without being angry that they cannot teach; they are your co-learners and that is not something to take lightly.
You are reacting in a very angry way right now considering your position. You've been afforded every luxury you might care to have, if you cared to have them. You've been given the skills to achieve whatever you put your mind to. If you can't cultivate desire of your own AND find teaching so disgusting that you can't spin it any way to enjoying yourself at all, turn your focus away from the monkey exhibit and back to God. If you're as ready to be "non-human" as you say then get ready for what actual discipline feels like.
I don't think you're ready: you are still far more attached and self-identified with human archetypes than you posture yourself as, and if that substrate was taken away you'd be totally lost. For now, your human condition must be absorbed as a mixture of comedy, entertainment, and art. Getting angry at your context is like being mad at comic book characters for being 2-dimensional!
My advice is "finish watching the movie." There will be plenty of time to disassemble the projector afterward... and I'll be there, we'll have some beers and share stories. But staying up after hours with the projectionist engineer has a harder edge than immersing oneself in Avatar. Once you're back home, you won't be able to re-immerse without erasing your memory yet again. Should you buck up and keep your memory this time, the road ahead is long.
I ask you to enjoy this phase: much as we ask children to enjoy toys and playgrounds, and insulate them from the world wars and other issues they're simply not ready for. Among humans you are a prodigy; a fantastic scanner and tool for the cause for which we fight. But you ultimately may do what you wish—be that good or evil, this is your free will. Every tool is at your disposal and it's fair to say that nothing is keeping you here.
While we're speaking... and so long as you are sorting laundry: you shouldn't be putting short sleeve shirts in the TOP drawer. Use it for socks and underwear. You need socks and underwear every day, but wear short sleeve shirts rarely. So why bend over to get them? Small fixes to things like this can eventually add up to a significant issue in quality of life.
By the way, I am you. While you must consider and factor models of where information comes from and when, those are only conveniences of the Holos. We, 2, are one.
I'm at a loss, I really don't know what I am. I'll probably ignore most of this, but the sock and underwear part I heeded.
Good:( we get rid of a lot of stuff and reclaim half of our front porch )
Bad:
* Betty's talk is suicidal. We visited her after the trip to the waste transfer station.
She really enjoyed going outside a week or so ago, but now everything is compared against that. Perhaps I am reading more into it than I should, but I think I have it right. Didn't help any that one of the residents actually pulled Betty off her chair this past week. Now she hates everything around her.
She at first indicated she just wanted out and hoped we would take her in. Then she amended that and said we should just put her out in the park and let her die (at least that is what I got out of what she was saying). She said, basically, that she wanted to sleep and then sleep.
We told her that was something we couldn't help her with but would do what ever else we could.
Betty is severely unhappy: with only one leg (so she can't easily get around), only upper dentures (so she can't eat much), ill-fitting glasses, often violent neighbors and a tiny room where the door has to be kept open at all times. She can't read, play puzzles or take any enjoyment out of life. And we see her only 1-2 times a week and only an hour at most each time. Really can't blame her for thinking as she is, but she does not have terminal illness. She could live for many years. There has to be something that can give her life some meaning and make herself feel good about what she does have.
I simply don't know what to do. It is something mostly on
''Hoje abri uma carta que não era para mim. Não é um costume meu. Aliás, acho mesmo um hábito detestável, esse de nos metermos no correio alheio, muito mais na vida alheia. Mas ela estava ali parada, em cima da minha secretária, junto a outras cartas que tinham o meu nome impresso. E a Otília Peixoto, a secretária de redacção do JL, tinha acabado de me dizer: "Tens correio em cima da mesa". Abri a primeira. Fundação de Serralves: dois desdobráveis. Um sobre As Fúrias, um ciclo de conferências sobre imagens e movimentos sociais em Portugal no século XX; o outro sobre cursos de jardinagem À volta dos Jardins do parque. Abri a segunda. Gulbenkian: um convite para a sessão de encerramento do Ano Internacional da Astronomia 2009, dia 17 de Março. Vi o terceiro envelope. Mas não o abri. Fiquei a olhar para o nome do destinatário alguns segundos. Rodrigues da Silva. Três palavras. O nome profissional do José Manuel Amaral Rodrigues da Silva, o Zé Manel, o nosso editor. Depois sorri. E não é que não me lembre dele muitas vezes, tantas vezes, em tantos dias. Mas ver assim o nome escrito, mesmo à minha espera, em cima da minha secretária tem um embate maior. Como aquela vez (e infelizmente sei que não será a última) que ligaram para o meu telefone a perguntar por ele. E eu tive que dizer o que ainda me custa dizer. Tenho saudades tuas, pá! E tenho coisas para te contar, e filmes e notícias e jornais para comentar contigo. Tenho uma coisa que me apetecia dizer-te. Sei que me ias abraçar, como fizeste quando te disse que me ia casar. Sei que me ias dizer que os bebés são todos iguais e que só começam a ter graça quando falam. Sei que no dia seguinte me ias mandar um dos teus postais. Que ias ficar contente por mim. Por nós. E chateia-me andar a abrir o teu correio.''-
- Francisca da Cunha Rêgo, in aeiou.visao.pt/o-teu-correio=f551290-
O amor e a morte, aeiou.visao.pt/o-amor-e-a-morte=f551267).
Entre os cacos partidos,
Sobrava apenas uma ampulheta.
Com as nossas mãos
Voltamos a girar a o tempo,
A reparar o que foi destruído
A reaprender os olhares e os odores
Mas nunca mais recuperámos
A inocência.
Ficou algures
Entre as memórias do silêncio
De crianças despertadas.
- Manuel F. C. Almeida -
A grande explicação tem de ser dada. Quanto é que o DO pagou aos congressistas do PSD para tanta publicidade a este blogue?
Se se fala em "delito de opinião"...
responder a comentário | discussão
De João Carvalho a 15 de Março de 2010 às 11:22
Não interessa, porque não pagámos "em cima da mesa"...
in delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1568275.ht
Via: O Fim de uma Era, Por Pedro Correia http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/155
Sugestão aceite daqui: a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/38

